Primance: Kills - Introdução
Era uma era pós-guerra.
O mundo, devastado e silencioso, assistia ao império nazista colher os frutos amargos da vitória.
Eles haviam "aniquilado a guerra", como diziam, e agora viviam uma paz construída sobre cinzas, um paraíso feito de mentiras, sangue e arrependimentos esquecidos.
O novo regime florescia - uma sociedade fria, perfeita e sem culpa.
Mas entre os sobreviventes havia um homem diferente.
Um antigo aliado, um cientista chamado Erich Kells, cuja mente nunca descansava.
Enquanto o mundo reconstruía seus templos e bandeiras, ele se perguntava: "E se a guerra não tivesse acabado... mas apenas mudado de forma?"
Durante seus estudos, Kells encontrou fragmentos de arquivos proibidos - relatórios sobre experimentos, registros genéticos e diários perdidos.
Neles, descobriu algo que o perseguiu por noites inteiras:
Os povos que haviam sido destruídos - em especial os seres de pele escura - possuíam algo que nenhuma raça do império jamais compreendera.
Uma consciência adaptativa.
Um tipo de inteligência que não vinha do cálculo, mas da emoção, da sobrevivência, da conexão com o instinto.
Eles não apenas aprendiam... sentiam o mundo em um nível que ultrapassava qualquer máquina, qualquer soldado, qualquer deus que o império tentara criar.
Kells concluiu que aqueles seres eram, na verdade, a próxima etapa da humanidade.
Não apenas mais fortes ou resistentes - mas emocionalmente evoluídos, capazes de compreender o próprio caos.
E essa verdade o enlouqueceu.
Como não podia mais testar em corpos vivos - já que o genocídio havia apagado toda a linhagem - Kells tomou uma decisão sombria.
Trairia o império.
Roubaria seus recursos, seus laboratórios, e fundaria sua própria doutrina.
Sua meta era simples e monstruosa: reconstruir a evolução com as próprias mãos.
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