Natália sempre acreditou que amar era permanecer. Mesmo quando doía. Mesmo quando doía sozinha. Ela estava em um relacionamento aberto - pelo menos era assim que chamavam. Um acordo moderno, maduro, livre. Na prática, era Maria vivendo intensamente tudo o que queria viver, enquanto Natália aprendia a engolir o próprio desconforto e chamar aquilo de evolução emocional. Ela dizia que entendia. Que apoiava. Que não sentia ciúmes. Mas o corpo nunca mentia. E o peito apertava toda vez que Maria chegava em casa com cheiro de outra pessoa. Natália nunca traiu. Nunca quis. Nunca precisou. Até conhecer Sofia Starling. Sofia não apareceu como um furacão. Não prometeu nada. Não invadiu. Ela chegou como chegam as coisas que mudam tudo: em silêncio, sem aviso, parecendo apenas um detalhe. E talvez tenha sido exatamente por isso que doeu tanto.
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