Solto um lamento gutural - o tipo de som que só o desespero consegue arrancar de alguém.
Estamos presos, mas, acima de tudo, estamos condenados. Condenados a não ter futuro. Condenados à morte.
Qualquer um pode ser o assassino - ou o Serial Killer, como eu e os meus amigos decidimos designá-lo. Pode ser aquela rapariga de olhos verdes, que me parece demasiado apática... ou aquele rapaz de cabelos pretos, que fixa sempre o olhar no mesmo ponto, como se visse algo que mais ninguém vê. Na verdade, de repente, todos me parecem suspeitos. Todos parecem esconder alguma coisa.
A única certeza que tenho, com uma intensidade arrepiante, é que, mais cedo ou mais tarde, as luzes voltarão a apagar-se. E, quando isso acontecer, alguém voltará a morrer. Agora, a pergunta que paira - mais pesada do que a identidade do impostor - é só uma:
Quem será o próximo?
Quem será o próximo a sucumbir às mãos deste assassino implacável?
Ele morreu - pelo menos foi isso que todos acreditaram.
O velório aconteceu, o luto foi vivido à meia-voz e a vida seguiu apoiada em mentiras cuidadosamente mantidas.
Zenilda aprendeu a conviver com a ausência, mesmo sem nunca ter enterrado completamente as dúvidas. Ao seu redor, amizades sólidas demais, amores que não deveriam existir e verdades sempre interrompidas antes do fim.
Tudo muda no dia em que, em meio à rotina comum da cidade, um rosto impossível reaparece. Um olhar basta para desenterrar o que estava escondido sob anos de silêncio, traição e culpa.
Agora, ninguém está preparado para o que volta à superfície.
Porque algumas mortes não encerram histórias - apenas adiam o momento da verdade.