Prefácio
Nesses 27 anos de vida percebi que minha mente andava na contramão das pessoas ao meu redor. Meu modo de pensar, de agir e de reagir às situações tinham formas mais peculiares. Meus sentimentos eram confusos, meus pensamentos às vezes eram como manchas de tinta em um papel em branco.
Eu era criança quando ouvi falar sobre o nome Borderline pela primeira vez, porém só consegui entender o que ele era na época da faculdade. A irritabilidade, a tristeza, a alegria e até mesmo o amor eram sentidos de formas singulares. Uma única palavra, meio difícil de pronunciar, carregava um peso tão forte!
No inglês, Borderline significa algo no limite (na borda, na fronteira, limítrofe, incerto). Para a ciência psicológica, o indivíduo com o Transtorno de Personalidade Borderline é caracterizado por seu comportamento instável e hipersensível nos relacionamentos interpessoais e na sua autoimagem, alguém com extremas variações de humor e impulsividade.
Parece ser horrível lidar com alguém assim, não é? Imagine então viver. Mas calma, um bom "border" tenta trazer na arte suas felicidades, suas dores e seus amores. Percebi que onde havia instabilidade também havia intensidade. Quando se vive no limite de tudo, você passa muito tempo sentindo como se a qualquer momento tudo fosse acabar.
E quando você descobre o amor? Ah, isso é insano! Escrever sobre o amor às vezes pode ser complicado, amar talvez seja meu ponto fraco. Amar até o limite pode ser bom, mas também pode ser perigoso. Às vezes textos desconexos podem nos contar lindas histórias, mas não é sempre que elas terminam em finais felizes.
Querer fugir de tudo, inclusive de si, só te deixa uma alternativa: a morte. Quando a certeza da morte é nosso único conforto na vida, o que acontece quando se faz dela sua Deusa? Como seria se apaixonar por ela?
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