Antes do Som
O relógio sempre esteve ali.
Clara o encontrou numa tarde chuvosa, escondido entre caixas antigas no sótão da casa da avó. O metal envelhecido e o vidro trincado lhe davam um ar de objeto comum, mas algo naquele relógio a atraía - talvez o fato de que ele estava parado exatamente em 14h37.
Ela o segurou contra a luz fraca e percebeu um símbolo gravado no verso: três círculos entrelaçados, como uma marca antiga.
- Coisa velha, Clara - disse a avó, quando viu o objeto. - Algumas coisas devem continuar dormindo.
Mas Clara riu, achando que era apenas superstição.
Naquela noite, colocou o relógio no pulso.
E, no instante em que o fez, o vento soprou pelas janelas fechadas e as lâmpadas piscaram.
Por um breve segundo, ela ouviu algo... uma voz sussurrando seu nome.
O relógio, antes imóvel, começou a funcionar.
tic... tac... tic... tac...
Ela sentiu o coração acelerar.
No mostrador, os ponteiros giraram depressa, como se tentassem alcançar algo que já havia passado, até pararem novamente em 14h37.
Naquele momento, sem saber, Clara havia despertado algo que dormia dentro do tempo.
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