Eu estava morto há três anos.
E, por três anos, Gojo continuou vindo.
Toda sexta-feira, faça chuva ou faça sol, ele aparecia com flores. Nunca as mesmas, como se ainda estivesse tentando descobrir quais combinavam mais comigo.
Colocava o buquê sobre a lápide, sentava-se no chão e começava a falar sem parar.
Sobre o mundo, sobre o Japão, sobre o que tinha comido no almoço e como estava horrível. Ele falava sobre qualquer coisa, como se eu ainda estivesse lá para ouvir e revirar os olhos para suas idiotices.
Os "vizinhos" ao redor costumavam brincar que eu devia ter salvo o universo na vida passada pra merecer alguém tão devotado.
Eu apenas ria.
- "Por favor, meu charme sempre foi irresistível."
Mas, no fundo, eu queria que ele parasse.
Gojo nunca soube a hora de soltar. Sempre agarrou tudo com força, como se pudesse vencer até a morte se insistisse o bastante.
Mas eu sabia - aquilo não era amor.
Era culpa.
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