Nos corredores enevoados de uma boate chamada Sanctum, onde o pecado é perfume e a música soa como reza profanada, Asami aparece. É chamada de a mulher de olhos de vidro, porque em seu olhar há algo que não pertence inteiramente à carne. O público não sabe, mas sob a superfície dócil e introspectiva daquela dançarina repousa um abismo, uma entidade silenciosa e vigilante, que desperta apenas quando as luzes vermelhas tocam seu corpo.
Chama-se Magdala.
Ninguém sabe se é uma segunda personalidade ou uma presença arcaica que encontrou nela refúgio. Magdala é a expressão daquilo que a humanidade tentou sepultar; a mulher que não se arrepende, o desejo que não pede perdão. Quando surge, a boate torna-se um altar, o corpo uma oferenda, e as pessoas, uma congregação submissa à sua liturgia de prazer e poder.
Entre as sombras dos frequentadores habituais, há um homem de presença discreta, Kang Daniel, músico errante, cuja serenidade fere. Para Asami, ele é um visitante ocasional; para Magdala, um sinal.
Ela o observa como quem contempla um mistério antigo, sentindo na voz dele uma vibração que a recorda de um amor que nunca existiu, ou talvez, de um que transcende o tempo. O que nasce ali não é ternura, mas devoção patológica, uma fome espiritual disfarçada de fascínio tão silenciosa quanto devastadora.
Conforme as noites passam, as fronteiras entre Asami e Magdala se diluem. Os espelhos do camarim refletem duas mulheres que já não sabem qual delas respira. Magdala começa a se manifestar fora do palco, em sonhos, em orações, nas palavras que Asami não lembra de ter dito.
E quando Daniel se aproxima, o ar se torna denso, como se o destino conspirasse para repetir um evangelho esquecido, escrito não em pergaminho, mas em sangue.
"Eu não amo como os humanos amam," sussurra Magdala, "eu adoro. E o que adoro, devoro."
Nos bastidores de uma novela de sucesso, duas atrizes vivem suas vidas normalmente compromissos, relacionamentos, rotinas e escolhas bem definidas. Alanis Guillen e Gabriela Medvedovski nunca imaginaram que uma conexão tão intensa pudesse nascer longe das câmeras. Em um universo alternativo, onde sentimentos falam mais alto que certezas, o que começa como amizade se transforma em algo difícil de ignorar. Entre gravações, confidências e silêncios cheios de significado, surge um romance inesperado, delicado e arrebatador, que não estava no roteiro, mas insiste em acontecer.