Ele era um príncipe.
Não precisava de coroa, trono ou súditos ajoelhados. Havia algo nele - na postura, no silêncio, no modo como o mundo ao redor parecia se ajustar apenas para dar espaço ao seu caminhar - que já o proclamava. Era o tipo de pessoa que não precisava pedir para que a sala se calasse. O silêncio simplesmente acontecia.
Fama, beleza, poder, riqueza.
Tudo nele era excesso.
Tudo nele era inevitável.
E o mais curioso é que ele não parecia desejar nada daquilo.
Era como respirar: ele apenas existia e o mundo se curvava.
Ela, por outro lado... não era nada.
Não no sentido cruel - mas no sentido real.
Sem título, sem nome lembrado, sem sangue notável correndo nas veias.
Se sua vida fosse um filme, ela não seria protagonista, nem coadjuvante, nem mesmo o alívio cômico do meio.
Seria uma figura de fundo.
Aquela presença quase invisível, passada de relance entre cenas, que ninguém nota, ninguém lembra, ninguém menciona.
Uma garota entre centenas.
Um rosto entre milhares.
Uma história que não fazia diferença para nenhum tipo de destino grandioso.
Mas o destino - esse velho caprichoso - não consulta hierarquias antes de agir.
E às vezes, tudo o que basta é um instante.
Um olhar rápido.
Um silêncio compartilhado.
Para que o príncipe note a figurante.
E para que a figurante, pela primeira vez, seja vista.
E é aí que tudo começa a mudar.
Inspiração "Barbie a escola de princesa", embora não tenha nada haver.
All Rights Reserved