Meu nome é Sofia, e a minha vida sempre foi um reflexo do calor do Brasil: previsível, intensa e rodeada pela mesma paisagem de sempre. Meus cabelos cacheados e morenos carregam o sal do mar de todas as temporadas naquela mesma praia, e meus olhos já haviam visto todas as histórias que eu achava que existiam para serem vividas. Até aquele dia. Até ela.
O sol estava particularmente implacável, incendiando a areia e fazendo o ar tremer. E foi no meio daquele caos dourado que eu a vi. Ela não passava despercebida. Era como um raio de sol de um país onde o verão é mais gentil. Cabelos tão lisos e loiros que pareciam fios de luz tecidos, caíam sobre seus ombros e contrastavam com a pele levemente rosada pelo calor. E os olhos... os olhos. Eram de um verde que eu só tinha visto em fotografias de florestas distantes, e as sardas espalhadas pelo rosto pareciam constelações de um céu que eu nunca tinha olhado.
Ela estava parada na beira da água, descalça, com uma expressão perdida e maravilhada, como se o oceano fosse uma invenção nova. Algo dentro de mim estremeceu. Uma curiosidade avassaladora, uma vontade súbita de ser a dona daquela paisagem só para poder explicá-la a ela.
Achei que seria só um encontro fugaz, uma daquelas imagens que a gente guarda na memória como uma foto bonita. Um tesouro de um único dia.
Na minha primeira semana de aula na faculdade, tentando me enfiar em uma sala de aula lotada, eu esbarrei em alguém. Quando me virei para me desculpar, o ar saiu dos meus pulmões. Lá estava ela. A garota do cabelo de sol e olhos de floresta. A intercambista. Maddy.
O sorriso tímido que ela me deu na praia se transformou em um reconhecimento alegre. "Você de novo!", ela disse, com um sotaque que enrolava as palavras de um jeito que eu achava fascinante. A amizade brotou natural, fácil, como a maré encontrando a praia.
Mas, com o tempo, algo mudou. O sentimento deixou de ser aquele tranquilo, mas passou a ser algo mais intenso...
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