Seul à noite não dorme: sangra.
Nas entranhas da cidade, onde os letreiros de neon se misturam com o cheiro de pólvora e soja queimada, Hwang Hyunjin reina absoluto. Aos 31 anos, ele é o jovem demais para carregar o peso de três gerações de crimes organizados, mas velho o suficiente para já ter matado com as próprias mãos mais vezes do que consegue contar. Herdou o império do pai aos 24, depois de uma bala perdida (ou nem tão perdida assim) ter atravessado o crânio do antigo chefe. Desde então, ninguém ousou desafiá-lo abertamente.
Existe uma cor. Uma única. Um tom quente de âmbar que aparece quando ela ri, quando ela inclina a cabeça lendo um processo, quando ela dorme com a boca entreaberta e o cabelo espalhado no travesseiro como tinta derramada. Lee Buyeon. A advogada que nunca perdeu um caso importante, a mulher que acha graça em tudo, até nas piadas ruins dele. A única pessoa no planeta que Hyunjin protegeria com a própria vida - e já matou por menos.
Seis anos atrás, um Mercedes preto bateu na traseira de um táxi numa avenida chuvosa de Gangnam. Dentro do táxi, Buyeon xingava o motorista com a leveza de quem está atrasada para um jantar de amigos. Dentro do Mercedes, Hyunjin descia do carro com a arma já na cintura, pronto para sumir com o problema. Em vez disso, viu uma mulher de 26 anos descer do táxi, olhar para a lataria amassada e rir. Rir de verdade. "Pelo menos agora tenho uma história boa pra contar", ela disse, e olhou direto nos olhos dele como se não tivesse medo de nada.
Naquela noite ele mentiu o nome. Na manhã seguinte, mentiu o endereço. Uma semana depois, mentiu sobre o que fazia da vida. Seis anos depois, ainda mente sobre quase tudo.
Porque se Buyeon soubesse quem ele realmente é, o que ele realmente faz quando some por noites inteiras, talvez parasse de rir. E isso Hyunjin não suporta.
Mas os rivais estão se mexendo. Um novo grupo de Busan, os Black Tigers, quer território. E descobriram o único ponto
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