No Sacro Império Romano-Germânico, duas existências seguem rumos distintos, embora moldadas pelo mesmo tempo e pelo mesmo silêncio imposto às mulheres.
A filha do duque de Bragante, educada desde a infância para o matrimônio e para o dever, aprende cedo que sua vontade pouco importa diante do nome que carrega.
E uma serva, nascida sem proteção nem escolha, sobrevive à violência praticada por aquele que lhe divide o sangue, aprisionada não apenas à condição humilde, mas a um destino que insiste em se repetir.
Entre ambas, corre pelos salões, tavernas e estradas do ducado a lenda do Cavaleiro das Flores:
um guerreiro sem rosto, invocado quando a justiça falha, temido pelos culpados e amado pelos que nada possuem.
Dizem que ele surge apenas quando o mal se torna insuportável.
Dizem que nunca permanece.
Dizem que jamais erra.
Mas toda lenda nasce de um homem.
E todo homem carrega falhas.
Quando um erro, grave demais para ser desfeito transforma-se em perda irreparável, o mito se rompe, e o que era justiça torna-se culpa. O aço que antes salvava passa a ferir além do pretendido, e a pergunta já não é quem merece punição, mas se ainda é possível absolvição.
O que ninguém imagina é o quanto essas vidas estão entrelaçadas,
nem que, para seguir adiante, não bastará coragem ou espada:
será preciso enfrentar o peso do erro
e aprender que até o mais justo dos homens pode precisar de perdão.
Wszelkie Prawa Zastrzeżone