PRÓLOGO - A COISA QUE NÃO DEVERIA EXISTIR
Ninguém no universo sabia o que realmente havia acontecido no instante em que duas forças - que jamais deveriam tocar a mesma realidade - se chocaram no vazio interestelar. A primeira era antiga, uma fagulha viva arrancada da própria Força Fênix, um fragmento de criação e destruição primordial. A segunda era selvagem, imprevisível, um resíduo da Magia do Caos que escapara de um dos mundos que a feiticeira escarlate havia distorcido.
Essas duas substâncias não combinavam. Nunca combinaram. Nunca deveriam coexistir.
E ainda assim... se atraíram.
O impacto não gerou luz, som ou destruição.
Gerou intenção.
Algo que começou a procurar um recipiente.
Não um escolhido.
Não um digno.
Apenas... um recipiente possível.
A Terra foi o alvo por acaso.
Um planeta comum, numa galáxia comum, em um momento comum demais para atrair atenção de qualquer entidade cósmica.
Mas o fragmento unificado caiu. Sem destino. Sem plano.
E encontrou S/N.
A energia o atravessou como vento atravessa uma cortina: sem resistência.
Não o escolheu - instalou-se.
Não o transformou - hibernou, como se aguardasse o momento ideal para se revelar.
Nenhum clarão iluminou o céu.
Nenhuma anomalia foi captada.
Nem mesmo Wanda Maximoff ou Jean Grey perceberam o impacto naquele instante.
O universo simplesmente seguiu.
S/N também seguiu.
Viveu sua vida comum, ignorando completamente que dentro dele duas forças incompatíveis estavam comprimidas, torcidas, obrigadas a coexistir como predadores na mesma jaula.
em algum momento, aquela coisa acordaria.
E quando acordasse, não haveria retorno, ritual, arma, mutante ou feiticeira capaz de impedir a consequência.
Não era destino.
Não era profecia.
Era acidente - um poder suficiente para escrever e apagar realidades inteiras.
E esse acidente tinha encontrado um corpo humano.
Um nome humano.
Uma vida que jamais pediria ou aceitaria algo assim.
S/N não sabia.
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