Dizem que no princípio havia apenas duas forças no mundo: o Sol e a Noite.
Ambos respiravam magia, moldando tudo o que existia - montanhas, rios, criaturas e sonhos.
Das entranhas da Noite surgiram os trolls, vampiros, almas sem paz feitas de sombras.
Feitos de pedra, guardiões da escuridão, destinados a viver onde a luz não alcançava. Criaturas gigantes, antigas, que a luz fazia rachar lentamente, como se cada amanhecer fosse uma batalha silenciosa contra o próprio corpo.
Já sob os raios do Sol nasceram os humanos, as fadas e as mais suaves criaturas.
Seres frágeis, breves, mas capazes de amor, invenção e promessa.
A luz lhes dava vida - e orgulho.
Foram séculos de silêncio entre eles.
Até o primeiro encontro.
O Sol iluminou o que a Noite escondia.
E a Noite viu no Sol uma ameaça.
Começou uma guerra tão antiga que nenhum dos dois povos gosta de contá-la. Porque ambos perderam demais. Reinos inteiros ruíram, e o chão ficou marcado para sempre com cicatrizes que nem o tempo conseguiu curar.
Segredos sagrados.
Entre os trolls, apenas alguns nasciam com sangue diferente. Sangue capaz de resistir à luz do dia...
Isso não era uma dádiva.
Porque se a humanidade descobrisse, buscaria domínio.
E se os trolls descobrissem demais sobre si mesmos, talvez desejassem ser o que nunca puderam.
Alguns chamam de bênção.
Outros chamam de maldição.
Mas o destino sempre escolhe quem tentar unir o que o Sol jurou afastar da Noite.
E assim, antes mesmo dela nascer, o destino já sussurrava:
Uma filha do Sol seria entregue à Noite e assim selaram a paz.
Sabendo ou não.
Querendo ou não.
Porque quando o Sol toca a pedra...
algo muito mais antigo desperta.
E nada - nem a guerra, nem o medo - pode impedir o que é escrito pela magia primordial.
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