Alem Dos Alcântara-Prado
Prólogo
O sol do meio-dia sobre a província de São Paulo não perdoava ninguém. Na sede da fazenda dos Alcântara-Prado, a vida corria entre o luxo das cortinas de veludo e o peso de um sobrenome que exigia perfeição. Aristides e Eleonora cultivavam a arrogância como quem cuida de uma lavoura valiosa: com cuidado, distância e a certeza de que nada - e ninguém - poderia ameaçar a pureza de sua linhagem. Para eles, o mundo era dividido entre aqueles que tinham nome e aqueles que apenas trabalhavam para sustentá-los.
A poucos quilômetros dali, o cenário era outro. Na colônia, onde a terra vermelha se misturava ao suor diário, a família de Giovanni e Lúcia vivia a simplicidade de quem nada tinha, exceto a dignidade. Matteo trabalhava sob o sol, Sofia cuidava do pequeno Enrico, e Caterina... Caterina trazia no olhar uma faísca que não pertencia àquele destino. Ela possuía uma beleza altiva, uma força que, para os conservadores, era perigosa, e para os sonhadores, era a própria definição de liberdade.
Eram dois mundos que, segundo as leis dos homens e o orgulho das classes, jamais deveriam se tocar. Mas o destino, com sua ironia peculiar, já havia traçado suas rotas. Entre o pó da estrada que unia a colônia à sede da fazenda, um encontro estava prestes a acontecer. Um encontro que não apenas desafiaria as tradições de famílias inteiras, mas que provaria que, quando o amor decide desabrochar, ele não conhece cercas, sobrenomes ou fronteiras.
O que se iniciaria ali não seria apenas uma história de paixão, mas uma guerra entre o orgulho e o coração, onde cada lado aprenderia, da maneira mais difícil, que o peso de uma tradição nunca será maior do que a necessidade de ser feliz.