Antes que os mortais aprendessem a temer a morte, os deuses já haviam falhado.
No princípio, sete divindades sustentavam o mundo não por benevolência, mas por necessidade. Eram pilares - do tempo, da morte, da vida, da memória e do limite. Quando o medo, a ganância e a traição romperam o equilíbrio entre eles, a ordem divina entrou em colapso, e os próprios deuses sangraram. O mundo sobreviveu, mas jamais voltou a ser inteiro.
Com a queda dos Sete, o Véu que separava a vida do abismo se dissolveu. O tempo tornou-se instável, juramentos perderam força e a eternidade deixou de ser promessa para se tornar maldição. Entre os escombros do sagrado, surgem os Féricos - seres moldados no entre, incapazes de morrer, incapazes de esquecer, presos a uma existência sem fim nem contorno.
Lyra, uma dessas criaturas, assiste à lenta erosão do mundo enquanto mortais e imortais se afastam, divididos por aquilo que mais desejam e mais temem: o fim. À medida que fragmentos divinos são disputados e novas formas de poder emergem, torna-se claro que a ausência dos deuses não trouxe liberdade, mas responsabilidade - e que a eternidade, quando alcançada, cobra um preço mais alto do que a morte.
Entre mitos proibidos, orações de imortalidade e um mundo cada vez mais poroso, esta é uma história sobre escolhas irreversíveis, sobre o peso da memória e sobre o limite que dá sentido à existência.
Porque aquilo que não termina não vive - apenas persiste.
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