Algumas histórias começam barulhentas.
A deles começou no azul, no profundo e silencioso azul.
Sunhee já foi uma criança risonha, cheia de cor, daquelas que iluminam o ambiente sem perceber. Liang, ao contrário, sempre foi quieto demais para a idade que tinha. Quando se conheceram ainda pequenos, algo improvável aconteceu: ela virou som, ele virou riso. Juntos, transformavam dias comuns em pequenas fugas. Corredores de escola, risadas sem motivo e aquários onde o mundo parecia desacelerar, o lugar onde mais iam. Ali, observando os peixes, eram seus momentos favoritos. Até que ele foi embora.
Sunhee mudou. Aprendeu a se recolher, a medir palavras, a esconder sentimentos para não ocupar espaço. Liang, longe dali, cresceu em silêncio, afundando-se na água como quem tenta esquecer o que deixou para trás. Nadou para não sentir. Ela se fechou para sobreviver.
Anos depois, Sunhee tenta dar mais uma chance ao amor, mas só resulta em feridas. Ao meio das sombras, surge Yooka, uma amizade inesperada, brilhosa, que devolve cor aos dias cinzentos de Sunhee.
De repente, Liang volta à China. Mais alto, mais calado, carregando uma culpa que nunca soube nomear. Ao rever sua amiga de infância, percebe como mudaram.
Os dois não são mais crianças.
Porém, ainda há algo entre eles mal resolvido. Algo prende Liang e Sunhee.
O passado.
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