Eu não soube falar sobre a perda.
Não consegui explicar, dividir, pedir colo.
Havia coisas grandes demais para caber em conversa
e íntimas demais para serem ditas em voz alta.
Enquanto o mundo seguia,
eu tentava aprender a continuar existindo
sem aquilo -
sem quem -
já não estava mais aqui.
Escrever não foi escolha.
Foi o que sobrou.
Quando a fala falhou, a escrita ficou.
Ela me permitiu existir sem precisar justificar a dor,
chorar sem interromper ninguém,
nomear sentimentos que eu mesma ainda não entendia.
Este livro nasceu de silêncios.
De lutos que não tiveram espaço,
de lágrimas engolidas,
de dias em que sorrir era sobrevivência
e escrever era resistência.
Cada verso foi uma forma de lutar contra o vazio.
Não para vencê-lo,
mas para não ser engolida por ele.
Escrevi para respirar.
Para organizar o caos.
Para permanecer.
Luto- Luto em Versos não é um pedido de compreensão,
nem um relato completo da perda.
É o registro de quem precisou se calar
e encontrou na escrita um lugar seguro para sentir.
Se você se reconhece nessas páginas,
saiba:
não há jeito certo de viver o luto.
Há apenas o jeito possível.
E este
foi o meu.
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