Depois que terminou, não houve impacto. Não houve ruído. O mundo continuou existindo com a mesma precisão de sempre, e foi isso que mais doeu. O fim não anunciou sua chegada; apenas se instalou, discreto, deixando para trás uma espécie de quietude difícil de nomear.
Durante muito tempo, acreditei que esperar era uma forma de permanência. Que sustentar a ausência, dia após dia, poderia transformar o tempo em retorno. Mas o tempo não devolve - ele desloca. E enquanto eu permanecia, algo em mim se movia sem que eu percebesse.
O que restou não foi exatamente saudade, nem exatamente perda. Foi um estado. Uma suspensão. Um espaço onde as memórias ainda respiram, mas já não pedem continuidade. Onde o passado não dói como antes, mas também não se apaga.
Este livro nasce desse lugar intermediário. Não do amor em movimento, nem da dor recente, mas do momento posterior, quando a necessidade de compreender cede lugar à observação. Aqui, não há tentativa de organizar o que foi vivido, nem de justificar o que não permaneceu. Há apenas disposição de olhar com cuidado para o que ficou.
Stillness é sobre esse estado silencioso que se instala depois do fim. Sobre a consciência de que algumas coisas não se desfazem quando acabam - elas apenas perdem direção e se acomodam em outra forma de existir. Não como promessa, mas como presença.
Esta não é uma história sobre recomeços ou despedidas. É sobre o instante em que nada mais é esperado, e, ainda assim, algo permanece.