San Francisco sempre pareceu uma cidade que fingia calma. Casas coloridas nas colinas, neblina entrando sem pedir licença, o oceano observando tudo em silêncio. Foi ali que tudo começou - não com um escândalo, mas com palavras nunca ditas.
Eleanor Whitmore escrevia cartas desde o dia em que a filha nasceu. Papéis bons, envelopes elegantes, sentimentos organizados demais para um coração cansado. Ela escrevia... e guardava. Nunca entregava.
A filha se chamava Aurora Whitmore. Loira, olhos azuis afiados, criada entre privilégios e vontades atendidas antes mesmo de serem pedidas. O pai, Henry Whitmore, dizia "sim" com facilidade demais. Presentes, desculpas, permissões. Aurora aprendeu cedo que o mundo podia se dobrar.
Eleanor observava de longe. Via a filha crescer mimada, espirituosa, rebelde sem saber exatamente contra quem lutava. Discussões viravam silêncio. Silêncios viravam cartas.
A caixa azul-marinho ficava escondida no quarto de hóspedes, esquecida no fundo do armário. Aurora nunca mexia ali. Não havia nada que gritasse seu nome.
Antes das cartas serem encontradas, existia isso: uma mãe cheia de medo, culpa e amor não dito... e uma filha que achava que mães não erravam - só atrapalhavam.
San Francisco seguia fingindo calma.
E as cartas esperavam.
(NAO REVISADO!)
ele é sério.
ela é séria.
ele é engraçado.
ela é fofa.
ele é esperto.
ela é Manhosa.
ele é sarcástico.
ela é irônica.
ele é carinhoso.
ela é carinhosa.
ele é o dono do morro.
ela canta.
ele ama ela.
ela ama ele.
empire.