Meu nome é Bela, e aos vinte anos, eu achava que já tinha visto de tudo. Pelo menos, tudo que importava: universidade, trabalhos temporários entediantes, e encontros ruins com caras que só falavam de si mesmos. Minha vida era um eterno cinza, até o dia em que o verdadeiro terror se mudou para o apartamento acima do meu.
Não era um vizinho barulhento. Era algo que arranhava o chão no meio da noite, sussurrava meu nome pelos canos e deixava um cheiro frio de ferrugem e terra no ar. Pânico puro. Desesperada, postei em um fórum obscuro sobre "assombrações reais".
A resposta veio de um tal de Sam Winchester. Direta, técnica, assustadoramente específica. E quando ele apareceu na minha porta, não era o especialista em paranormal de meia-idade que eu esperava.
Era Sam. Uns bons 1,90m de altura, olhos castanhos sérios demais para um rosto tão bonito, e uma aura de cansaço pesado que ele carregava nos ombros largos. Ele devia ter uns vinte e nove anos. Não estava ali para brincar. Estava ali para trabalhar.
"O que você tem não é um vazamento de gás, Bela", ele disse, sua voz era calma, um baixo que fazia o ar vibrar. "É uma atividade residual violenta. Pode ser perigoso."
Naquela primeira noite, entre sal grosso derramado no chão, velas negras e palavras em latim que faziam as paredes tremerem, Sam Winchester não só lutou contra algo saído de um pesadelo. Ele me puxou para dentro do mundo dele. Um mundo escuro, perigoso e absurdo onde demônios eram reais, fantasmas precisavam de ajuda para seguir em frente, e o amor... bom, o amor parecia a coisa mais sobrenatural de todas.
Esta é a história de como um caçador endurecido pela perda e uma jovem teimosa que recusou virar estatística encontraram não apenas uma parceria contra as coisas que espreitam na escuridão, mas algo muito mais raro e frágil: uma luz que brilha justamente porque a noite é tão, tão escura.
Prepare-se. A caçada está apenas começando.
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