Na Roma de mármore, poder e glória erguem-se sobre o silêncio das mulheres.
Lívia Cornélia, filha de um dos senadores mais influentes da República, é entregue em casamento ao jovem imperador Caio Valério Augusto como parte de um acordo político que promete estabilidade a Roma - mas condena sua própria vida. Criada para obedecer, Lívia acredita que poderá ao menos conquistar respeito. Em vez disso, encontra desprezo, humilhação e a presença constante da amante do imperador, forçada a conviver com a mulher que ocupa o lugar que nunca será seu.
Quando Lívia dá à luz Tibério, o herdeiro do Império, a maternidade não traz redenção, mas um novo tipo de prisão. Consumida por uma depressão pós-parto que ninguém em Roma reconhece como doença, ela passa a viver entre o medo de perder o filho e a dor de existir apenas como símbolo político. Sua fragilidade torna-se mais uma arma contra ela - usada pelo marido, pela amante e até pelo próprio pai.
Marco Cornélio Rufino, o senador que deveria protegê-la, escolhe o poder. Casado com uma antiga amante que jamais acolheu a enteada, ele minimiza o sofrimento da filha e legitima a violência silenciosa do imperador. Abandonada pela família, pelo marido e pelo Estado, Lívia descobre que não há deuses para mulheres como ela.
Entre corredores de intrigas, alianças corruptas e afetos negados, Lívia precisa decidir se continuará sobrevivendo em silêncio ou se transformará a própria dor em resistência. Porque em Roma, até o mármore racha - e toda mulher esquecida carrega em si a possibilidade de ruína ou de mudança.
Um romance sobre poder, maternidade, abandono e a força silenciosa de quem aprende a existir onde nunca lhe deram voz.
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