Pete é tudo o que Est deveria querer. Ele é sensato, atencioso, previsível no melhor sentido possível. Abre portas, cumpre horários, diz as palavras certas e se encaixa perfeitamente na vida que Est aprendeu a chamar de ideal. Ao lado dele, não há gritos nem lágrimas - apenas estabilidade, conforto e a aprovação silenciosa de todos ao redor.
Mas o coração de Est nunca aprendeu a bater em linha reta. Porque o amor que o marcou de verdade tinha nome: William.
Com ele, nada era fácil. Era intenso demais, barulhento demais, profundo demais. Havia brigas às duas da manhã, nomes sussurrados entre raiva e desejo, beijos roubados sob a chuva e a sensação constante de estar à beira do abismo. William fazia Est perder o controle, agir de forma insana, sentir tudo em excesso - dor, paixão, medo, amor.
Com Pete, Est sorri.
Com William, Est sentia.
Pete não percebe o sorriso ensaiado, nem o vazio por trás da calma. O coração de Est não está quebrado - ele apenas não reage. Porque o amor seguro não machuca... mas também não arrebata.
E mesmo distante, mesmo perdido por um erro que nunca deixou de doer, William continua presente em cada silêncio, em cada madrugada acordada, em cada lembrança que insiste em voltar.
Dividido entre o que é certo e o que é real, Est precisa encarar a verdade que mais assusta: o amor que destruiu também foi o que ensinou a amar. Porque Pete é tudo o que faz sentido...
mas William foi - e talvez sempre será - a forma mais intensa de amor que Est já viveu.
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