Cada reino ergue-se sobre leis antigas, seladas por juramentos, sangue e silêncio. E toda lei quebrada exige um preço à altura.
Lótus d'Tiān, nascido do enlace profano entre uma deusa e um demônio, não apenas infringiu tais leis; ele as profanou, uma a uma, em todos os reinos que ousaram acolhê-lo.
Seu castigo, contudo, não foi a cela nem a lâmina. Foi pior.
Seus artefatos, relíquias ligadas à sua essência, foram lançados aos quatro cantos do mundo; somente ao recuperá-los poderia retornar às suas terras, purgado dos crimes que mancharam seu nome.
Condenado a vagar, Lótus viu-se forçado a caminhar entre mortais, vestindo pele humana, respirando como eles, vivendo como eles, até o fim de sua penitência. E para tal desígnio, assumiu o nome de August Gutierrez, abandonando a própria natureza em troca do esquecimento.
O que não lhe foi anunciado pelos deuses, nem pelos demônios, foi o frio.
Nem que, em seu caminho, erguer-se-ia um rei de gelo, cuja presença extinguia chamas como a água apaga o fogo ardente.
Entre guerras que rasgam reinos, mortes que fertilizam a terra e um caos que ecoa como profecia antiga, algo impensável começa a se formar.
Pois mesmo na ruína, nasce uma linhagem.
Antiga.
Proibida.
Profana.
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