Ele nunca soube exatamente quando começou a se sentir sozinho. A solidão simplesmente se tornou parte da rotina, como acordar cedo, estudar, voltar para casa e repetir tudo no dia seguinte. Um garoto nerd, discreto, vivendo uma vida comum demais para ser notada e silenciosa demais para ser compartilhada.
O portal surge sem aviso, como surgem as mudanças que ninguém pede. Ao atravessá-lo, ele descobre um mundo quase igual ao seu - as mesmas ruas, os mesmos prédios, mas atravessados por magia. Ainda assim, a sensação é familiar: mesmo cercado pelo extraordinário, ele continua se sentindo deslocado.
Até encontrar ela.
A garota não o entende de imediato, nem tenta consertá-lo. Apenas caminha ao seu lado. Com o tempo, entre conversas simples, momentos de medo e pequenas escolhas, algo começa a nascer. Não um amor grandioso, mas um sentimento lento, feito de cuidado e reconhecimento - como se, pela primeira vez, alguém o enxergasse de verdade.
Enquanto aprende a sobreviver naquele mundo, ele também aprende a existir. E percebe que o portal não o levou para longe de sua vida, mas para mais perto dela. No fim, o romance não é uma fuga da solidão, mas a prova de que até as pessoas mais invisíveis podem ser encontradas.
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