Nas vielas enevoadas de uma cidade antiga, onde os séculos pareciam se acumular nas paredes como mofo antigo, existia certas coisas que nunca houveram explicações.
Vicent nascera humano no século XV, em meio a guerras, peste e fanatismo. Filho de um nobre cruel e de uma mãe silenciosa, aprendeu cedo que o mundo era governado pelo medo. Aos 22 anos, foi transformado em vampiro por uma criatura ancestral.
Os séculos moldaram Vicent em algo mais do que um predador. Ele tornou-se culto, poliglota, amante de artes e colecionador de relíquias. Viveu a ascensão e a queda de impérios, dançou em salões iluminados por velas na França do século XVIII, caminhou entre ruínas após guerras mundiais e observou revoluções nascerem como incêndios inevitáveis.
Sua aparecia, no entanto permanecia a de um homem no auge da juventude.
Mas a imortalidade tem um preço ao longo dos anos, Vincent perdeu amantes, amigos e aliados. Humanos envelheciam e morriam, vampiros traíam e era destruídos. O tédio tornou-se seu inimigo mais feroz. Nada mais o surpreendia.
Até que ele a viu.
Ele sentiu algo que não experimentava há séculos: curiosidade genuína.
Blanc não tinha sobrenome conhecido. Surgira nos registros policiais como um vulto, ninguém a conhecia.
Sempre ligada a assassinatos meticulosos e brutais. Diferente de assassinos comuns, ela não matava por dinheiro. Matava por necessidade psicológica, um impulso frio, calculado e quase artístico.
Cabelos escuros que contrastavam com olhos sem remorso. Sua expressão raramente mudava. Ela estudava suas vítimas como um cientista observa um experimento. Planejava cada detalhe, cada fuga, cada álibi. Era psicopata no sentido clínico: ausência de empatia, charme superficial, inteligência acima da média.
Mas havia algo peculiar em Blanc - ela não temia nada. Nem mesmo a morte.
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