Um homem desperta em uma planície silenciosa sob um entardecer. O lugar lhe causa uma estranha sensação de familiaridade, como se já tivesse estado ali antes, embora não se lembre de quem é, nem de como chegou até ali. Sua memória é um vazio, e o mundo ao redor parece existir à margem do tempo, intocado, imóvel, observador.
Ao seu lado, ele encontra um diário.
As páginas contêm anotações perturbadoras de alguém que descreve uma situação assustadoramente semelhante à sua: um despertar sem identidade, a sensação constante de estar sendo observado e a tentativa desesperada de compreender um espaço que não obedece às regras da realidade. À medida que avança na leitura, o protagonista percebe que aquele mundo começa a revelar sua verdadeira natureza, uma prisão sem muros, onde nada envelhece, nada se move e nada escapa.
A planície se estende infinitamente sob o mesmo céu alaranjado, como se o próprio horizonte fosse uma mentira. Com o tempo, novos diários surgem, cada um trazendo relatos quase idênticos: homens e mulheres que não lembram de nada, que acordam sozinhos, sempre acompanhados por um diário. Vozes do passado que parecem se repetir, fragmentadas, presas a um ciclo sem origem.
Obcecado em recuperar sua identidade e entender o propósito daquele lugar, o protagonista passa a acreditar que não está apenas perdido, está aprisionado. E que, para fugir, precisará confrontar não apenas o mundo que o cerca, mas aquilo que sua mente se recusa a lembrar.
Porque como escapar de um lugar que não tem fim...
quando talvez o fim seja você?
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