Ninguém sabia que eles ainda existiam.
Durante ciclos inteiros, as montanhas mais altas de Pandora foram dadas como mortas - altas demais, frias demais, silenciosas demais para sustentar vida. O Clã Aylunari tornou-se apenas um sussurro, uma lenda antiga murmurada por quem acreditava que o gelo também podia lembrar.
E Bunari fazia questão de que continuasse assim.
Do alto da encosta, observava o vale coberto de neve. O vento puxava-lhe as tranças com força, mas ela não se movia. Ao seu lado, Rak'Nok permanecia imóvel, parte da paisagem, como se tivesse nascido da própria montanha. Lá em baixo, pequenas fogueiras riscavam a escuridão - frágeis, estranhas, fora do lugar.
Estrangeiros.
Tinham chegado trazendo o cheiro de cinzas e o peso de histórias que não pertenciam às montanhas. Pediram abrigo. Pediram tempo. Coisas que o gelo raramente concedia.
Bunari cerrou os dedos em torno da adaga de gelo. Não acreditava em coincidências. Nada alcançava aquelas alturas por acaso.
Um movimento chamou-lhe a atenção. Entre as sombras, uma silhueta mantinha-se acordada, imóvel, como se sentisse o olhar que a observava. Por um instante breve, houve a estranha sensação de reconhecimento - não de confiança, nem de ameaça. Apenas... presença.
O vento aumentou, fazendo o gelo ranger sob seus pés. A montanha respondeu com um som profundo, antigo, como um aviso guardado há gerações.
O Clã Aylunari continuava escondido do mundo.
Mas o mundo tinha acabado de bater à sua porta.
E Eywa, paciente como sempre, observava.
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