
Ren é um escravo do Palácio de Vareda Lumina - um lugar onde os corredores brilham tanto quanto escondem venenos. Ali, o palácio não é apenas feito de mármore e ouro, mas de intrigas silenciosas, promessas sussurradas e traições que florescem como flores noturnas. É um verdadeiro ninho de cobras: não se pode confiar em ninguém, e ainda assim, sem a confiança de ao menos uma alma, ninguém sobrevive por muito tempo dentro de seus muros. Antes, a vida de Ren seguia um ritmo quase suportável. Havia dias repetitivos, tarefas conhecidas, e até breves momentos em que ele podia reclamar em silêncio do mundo, do destino, de si mesmo - sem o medo imediato de punições severas. Era uma existência contida, pequena, mas previsível. E, para alguém como ele, previsibilidade era uma forma de paz. Tudo isso se desfaz de uma hora para outra quando Ren é retirado de sua antiga função e designado para servir diretamente a um dos príncipes élficos que disputam o trono. Um cargo que, para muitos, pareceria uma honra; para Ren, soa como uma sentença. O príncipe não é apenas exigente - é arrogante, orgulhoso, consciente demais de seu próprio sangue nobre. Um "elfo metido a besta", como Ren passa a defini-lo em seus pensamentos, alguém difícil de agradar e ainda mais difícil de suportar. Cuidar dele exige atenção constante, silêncio calculado e uma paciência que Ren nunca soube que teria de aprender. Cada palavra dita pode ser mal interpretada, cada gesto pode se tornar motivo de desconfiança. No entanto, em meio a essa convivência forçada, algo começa a se deslocar lentamente, quase imperceptível. O desprezo inicial não permanece intacto. As máscaras começam a rachar. E, assim como no próprio palácio, onde alianças podem se formar e ruir em um piscar de olhos, a relação entre o escravo e o príncipe também se mostra instável, frágil - e perigosamente capaz de mudar de uma hora para outra.All Rights Reserved
1 parte