O diabo é às brutas, mas Deus é traiçoeiro.
Cercado de tudo que o mundo tem de pior. Ferido, cruel, frio, implacável. Ele cuidava de tudo aquilo que estava longe de ser divino. Ele não se importava com nada, ele não sentia pena de ninguém, ele não sentia nada por ninguém, ele não hesitava em fazer o inferno cuspir fogo.
Até ela. A armadilha mais elaborada que Deus já criou.
Como fica o inferno quando o diabo ama?
Como fica o inferno quando o diabo perde tudo que ele já amou?
O que acontece se ele percebe que amou um castigo?
Ele não queria amá-la, mas ela o ensinou a odiá-la.
Ele a deixou ir e isso lhe foi arrancado das mãos como uma adaga afiada: jorrando sangue pelo caminho.
Com ela, se foi tudo que se podia chamar de bom nele.
Violento, volátil, perverso, indolente, destruído.
Algum dia ele se esqueceu dela? Ou só lembrava de a odiar?
Ele despedaçava almas, e nunca odiou nenhuma como odiou ela.
Ela era seu castigo, e esse castigo fez por ela tudo que a eternidade no inferno não seria capaz de fazer. Ele estava destruído.
Acostumado demais à dor, ao ressentimento, à fúria e ao ódio, e mais uma vez ela iria encontrá-lo. Como isso pode terminar bem?
Ela, 500 anos depois, estava presa ao inferno. Presa a ele, novamente. Mas dessa vez ele cortaria as correntes com as próprias mãos. Ele a odiava, ela soube. Mas porque? Ela não se lembrava que o amava, ela não se lembrava de porque o amou, e não se lembrava do porque ele a olhava com tanto ódio.
As noites em que lembrava dela fazendo promessas que não iria cumprir eram maldição, as noites em que a teria de volta seriam um castigo.
Ela é o castigo.
E ele não sabia se libertar.
Tanto ódio parece a todos um amor com insistência. Mas o amor pode sobreviver à insistência do ódio e da dor?
Alguns amores salvam o mundo.
Outros o condenam.
O inferno nunca foi o castigo dele.
Amar ela foi.
Ela continua sendo.
Se o Diabo é o pai da mentira porque D
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