Ter demasiado afeto por uma amiga é coisa comum e socialmente aceitável; amar, contudo, exige distinções que nem sempre se deixam fazer com clareza. Onde termina a amizade e principia o amor? E quando esse amor, por sua própria natureza, não deveria existir?
Amaris, jovem de modos recatados e filha de um conde, cresceu à sombra da convivência constante com Darla, sua amiga de infância - presença habitual, quase indispensável, cuja importância jamais fora posta em questão. Unidas desde cedo por confidências, hábitos e uma intimidade discreta, eram vistas como exemplo de afeição honesta e conveniente.
O equilíbrio dessa relação, porém, começa a vacilar quando Amaris se descobre tomada por um sentimento que ultrapassa os limites do afeto permitido. O que antes lhe parecia zelo transforma-se em inquietação; o carinho, em desejo contido. Amar Darla passa a ser um exercício silencioso, feito de prudência, culpa e uma vigilância constante sobre os próprios pensamentos.
Em um tempo em que às mulheres cabia o silêncio e a resignação, esse amor revela-se não apenas impróprio, mas perigoso - capaz de comprometer reputações, romper laços e perturbar a ordem moral que sustenta o mundo ao redor. Entre gestos breves, olhares demorados e palavras jamais ditas, Amaris vê-se dividida entre a lealdade à amiga e a fidelidade a si mesma.
Narrado com sensibilidade e fina observação da alma humana, Entre Silêncios e Quintas-Feiras é um romance sobre o amor que não encontra lugar, sobre os limites impostos ao desejo feminino e sobre a coragem silenciosa de sentir, mesmo quando sentir é uma forma de transgressão.
• Todos os direitos autorais reservados.
Alle Rechte vorbehalten