O Som do Coração que se Quebra
O castelo no topo da colina não aparecia nos mapas. Para o povo da vila, ele era apenas uma sombra entre as nuvens, um lugar onde o tempo parecia ter parado.
Clara apertou a alça de sua bolsa de couro enquanto subia a escadaria de mármore. O silêncio ali era diferente; não era o silêncio da paz, mas o silêncio de algo que estava prendendo a respiração. Ela tinha sido chamada para ser a nova governanta, mas as instruções eram estranhas:
Nunca acenda as luzes depois das sete.
Nunca toque no mestre da casa sem luvas.
Ao entrar no grande salão, ela viu um rastro de pó brilhante no chão. Pareciam pequenos cacos de diamante.
- Você não deveria estar aqui tão cedo - disse uma voz vinda das sombras da galeria superior.
Era uma voz jovem, porém cansada. Clara olhou para cima e viu apenas um vulto. O rapaz usava um capuz fundo e luvas de veludo negro. Quando ele se moveu, Clara ouviu um som que a fez estremecer: o som de taças de cristal batendo suavemente umas nas outras.
- Eu, sou Clara. Vim para o trabalho - ela respondeu, tentando manter a voz firme.
O vulto deu um passo à frente, entrando em um feixe de luar que atravessava o vitral quebrado. Clara prendeu o fôlego. A mão que segurava o corrimão não era feita de carne e osso. Da ponta dos dedos até o pulso, o rapaz era feito de um vidro puríssimo, translúcido e frio. Através da pele de cristal, ela podia ver as veias brilhando como fios de prata.
- Você tem medo de coisas bonitas que quebram, Clara? - ele perguntou, e por um segundo, ela viu os olhos dele. Eram azuis como o oceano, mas estavam cheios de uma tristeza que nenhuma magia poderia curar.
- Eu só tenho medo de coisas que não podem ser consertadas - ela sussurrou.
Naquele momento, um pedaço minúsculo de cristal caiu da bochecha do rapaz e se despedaçou no chão. O tempo de Julian estava acabando, e Clara, sem saber, acabara de entrar na única história que poderia salvá-lo ou destruí-la junt
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