Curitibanos não é apenas uma cidade, é um barril de pólvora. Cada acordo malfeito, cada traição sussurrada, cada promessa vazia empilha lenha num incêndio que já tem data para começar.
No oeste de Santa Catarina, em 1895, Curitibanos é uma cidade sustentada pelo medo, pela fé torta e por acordos feitos à sombra da violência. Ali, o poder tem nome e sobrenome: Coronel Galo, dono de terras, homens e da palavra final. Mas toda autoridade carrega rachaduras - e nesta cidade, elas começam a se espalhar.
Enquanto foras da lei, prostitutas, padres decadentes e políticos oportunistas disputam influência, velhas feridas retornam com a reaparição de Velho Purga, antigo coronel dado como morto. Seu passado se cruza com o de Galo em sangue, traição e um crime que jamais foi esquecido. Ao mesmo tempo, um monge errante, Nelson, percorre a região anunciando profecias que ninguém quer ouvir, enquanto Peixe Pescado, líder indígena, observa a cidade que cresceu à custa da destruição de seu povo.
Entre saloons, igrejas e estradas de terra, alianças se desfazem, filhos traem pais, homens vendem a própria consciência e a cidade caminha lentamente rumo ao incêndio. Todos acreditam controlar o destino - até perceberem que Curitibanos é maior que qualquer um deles.
Esta é uma história sobre poder, decadência e sobrevivência, inspirada nos conflitos do Contestado, onde fé e violência se confundem, e onde, no fim, ninguém sai ileso - nem mesmo os vencedores.
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