Em um reino de destinos traçados, a princesa cresce entre paredes belas demais para ouvir suas dúvidas. Educada para conter, aprende cedo que algumas perguntas não têm lugar no Palácio.
Enquanto isso, em outra camada do mesmo reino, vive o bobo da corte, uma figura feita para rir, distrair, aliviar tensões que não lhe pertencem. Seu papel é leve apenas na aparência. Ele existe para entreter os outros, nunca para ser visto de verdade. Entre gargalhadas forçadas, gestos exagerados e uma máscara que se renova a cada dia, esconde pensamentos profundos demais para alguém que nunca teve o direito de escolher o próprio caminho.
O romance que nasce nessa história não é feito de encontros fáceis, mas de ausências. De olhares que se perdem antes de se encontrarem. De silêncios longos demais. De pensamentos que insistem durante a noite, quando o mundo parece mais honesto. É um amor que cresce nos intervalos, nos momentos em que ninguém está olhando, nas brechas deixadas pela rotina do poder.
Entre pai e filha, instala-se um conflito silencioso, feito mais de palavras não ditas do que de confrontos diretos.
À medida que a história avança, o Palácio deixa de ser apenas cenário e se transforma em personagem. Suas paredes observam, seus corredores escondem, seus jardins guardam segredos. A noite revela caminhos proibidos. O dia reforça as regras. Cada espaço carrega símbolos de poder, controle e vigilância.
O bobo da corte, que sempre soube onde não podia estar, passa a ser o centro de um desejo que não pode existir. A princesa, que sempre esteve em todos os lugares certos, passa a sentir vontade de atravessar limites. Ambos descobrem que o perigo não está apenas em serem vistos juntos, mas em reconhecerem a si mesmos longe das máscaras impostas.
Porque, às vezes, o mais perigoso não é amar alguém proibido, é perceber que nunca fomos livres para amar ninguém.
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ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ- 𝘼𝙧𝙞𝙞𝙨𝙠𝙖 𝙁
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