Romênia, 1710.
Ronald Joseph Radke
Minha doce Ellie,
minha pequena rosa entre espinhos.
Se estas palavras chegaram aos teus olhos, é porque já caminho para muito longe de ti, talvez para um lugar onde nem mesmo a memória ousa me seguir. Quando despertares, teu coração sentirá um vazio sem nome, como quem acorda de um sonho longo demais para ser recordado, porém intenso demais para ser esquecido. Foi por isso que escrevi.
Durante séculos julguei ser pueril confiar os sentimentos a pedaços de papel. Coisa de mortais frágeis, que temem o peso do silêncio. Então conheci a ti, que escrevias como quem respira, que derramavas a alma em cada linha, como se o mundo pudesse ser salvo por palavras.
Encontrei teu diário, minha rosa.
E quando teus olhos se abrirem novamente, ele repousará ao teu lado, junto desta carta, como o último vestígio do que fomos.
Quisera eu possuir termos suficientes para traduzir a devoção que me consumiu, o amor que me tornou humano outra vez. Contudo, certas paixões existem além da linguagem, vivem apenas no coração.
Como derradeiro pedido antes de minha partida, suplico-te, minha Ellie: perdoa-me. Não me guardes como o monstro que te afastou de seu mundo, mas como aquele que te amou o bastante para libertar-te, mesmo que isso me custasse a eternidade.
E quando leres tua própria história, narrada por tuas mãos, não me imagines como um tolo loiro de sorriso insolente, mas como o homem que te amou em silêncio quando o amor significava perder-te.
Para sempre teu,
Ronnie
P.S.: Continuo a detestar esse apelido... embora tenha aprendido a amar o modo como tua voz o pronuncia.
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