[CAPA NÃO CONFIRMADA]
O silêncio na Eslováquia não protege. Ele pesa, escorre pelas pedras, invade os ossos e deixa Semyon nu diante de si mesmo. Cada pecado cotidiano (um pensamento, um gesto, um desejo) ecoa em seu corpo como aço frio. Ele sente mais do que qualquer um poderia suportar; cada falha é uma ferida aberta que ninguém vê, uma culpa que grita em dobro, que consome e não perdoa.
Não há redenção que chegue. A fé se dobra, frágil, sob o peso de uma escuta que parece sempre vazia. Ele reza, repete palavras que não aquecem, busca perdão em ecos que retornam mudos. A cidade, o gelo, as igrejas, as ruas desertas... tudo conspira para lembrá-lo de que nada é suficiente. E mesmo quando o mundo parece inerte, Semyon sente o olhar de algo antigo, algo que pesa mais do que a vida, mais do que o céu.
E em um instante de raiva contida, melancolia e incredulidade, ele rompe o silêncio:
"Se há injustiça, Senhor, então que os céus se envergonhem de Ti, pois eu me recuso a crer."
Neste labirinto de consciência e carne, Corpus Clamat Inter Silentii Lacunas é o relato de quem vive sob a constante vigilância de si mesmo, do corpo, da culpa, da impossibilidade de descanso. Uma viagem perturbadora pelo silêncio que não se quebra, pela fé que não responde, pelo coração que não encontra paz e pela intensidade de um ser que sente o peso do mundo de uma maneira que ninguém mais poderia.
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