Se em 1981 os relatos sobrenaturais eram notícias sensacionalistas que atravessavam as ondas de rádio como uma infecção generalizada e assombravam as senhorinhas e os pais de família, só havia uma explicação para os barulhos lá embaixo. Era claro. Frank. Como em todas as outras noites ele iria descer para revisar os casos criminais de desaparecimentos e assassinatos que lhe tiravam o sono, ele iria derrubar sua caneca de chá, iria xingar, a casa ficaria em silêncio de novo, o rádio iria ligar com aquela interferência que Gerard nunca conseguia arrumar, então após uma hora e meia ele iria voltar para a cama, deixar um beijo no rosto do marido e eles iriam dormir. Era a vida perfeita. Que bom que aquele jornal chegou na porta deles há cinco anos atrás.
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