Sophie sempre acreditou que Edimburgo tinha uma alma poética. O clima trazia essa sensação, entre as ruas de pedra, chuviscos constantes e o brilho amarelo sendo visto através das janelas no fim de tarde, ou mesmo em qualquer horário do dia. Seu desejo por um romance cresceu em meio ao cotidiano, um sonho de viver um amor grandioso.
Aos 17 anos ela se viu encantada por Sebastian, ele era um sol em meio ao cinza que dominava Edimburgo. Brilhante demais, caloroso demais, bonito demais. Foi impossível não se ver perdida por ele na idade em que estava, mas era impossível isso se tornar algo, no fundo ela sabia. Era um perfeito romance cliché, caso virasse algo, mas nem tudo que reluz é ouro. Às vezes brilho demais machuca.
Mas é necessário entendermos que há amores calmos, silenciosos, não do tipo que escondem você, mas que você percebe que há amor apenas em uma troca de olhar, em um sorriso bobo lançado sem perceber, o amor ele pode ser visto de várias formas, mas Sophie achava que o amor tinha que ser grandiosos, e não notou o amor que era pra ela.
Christopher.
Assim como Edimburgo ele era de uma calmaria inexplicável, seu estilo, seu cabelo, seu olhar, tudo nele se encaixava perfeitamente na visão da cidade, ele era como uma personificação daquele ambiente, não era ruim, não mesmo, ele era incrível. Ele era discreto, atento e paciente, tudo que Sophie admirava, mas o amor nos faz cego.
Após alguns anos, Sophie superou seu amor idealista, a terapia ajudou bastante a consertar sua vida e se fazer presente pra si mesma. Bilhetes aparecem o mesmo da Noite da Pizza, não imediatamente como romance, mas bilhetes que a ajudam a perceber o quanto ela merece coisas boas em sua vida.
Alguns amores são gritantes, outros apenas sussurram.
O que vale é sabermos qual que irá nos preencher e acalmar em meio ao caos. O amor ele precisa trazer calmaria, pois de caos já nos basta a vida.
Tous Droits Réservés