Quando penso no Luis, não lembro de um acontecimento específico, mas de uma sensação que foi crescendo sem barulho e se espalhando pela minha vida de um jeito que, na época, eu nem sabia identificar. Ele chegou em 2019, no meio de uma gravação comum, e o tempo inteiro me pareceu improvável e inevitável ao mesmo tempo.
Eu tinha 16 anos, ele tinha 20, e embora o mundo fizesse questão de sublinhar essa diferença, meu coração pareceu ignorar completamente essa matemática.
O jeito dele - leve, brincalhão, caloroso, sempre acompanhado de um toque que dizia mais do que ele percebia - entrou na minha rotina com naturalidade demais. Ele não marcou a minha vida porque tentou, mas porque existiu. Hoje, olhando pra trás, vejo que desde aquele primeiro abraço dentro de um coração de fita no chão, uma parte de mim nunca deixou de guardar o Luis num canto só meu, quieto, mas impossível de esquecer. Este é o meu lado da história. O que eu sempre soube, mas nunca disse.
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