O prédio estava quieto demais.
Hyun-soo percebeu isso antes mesmo de abrir os olhos. O silêncio não era paz - era aviso. O tipo de silêncio que vem antes do grito.
O visor do celular piscou.
"Você também quer viver?"
Ele engoliu em seco. A mensagem não era nova, mas naquela manhã... parecia diferente. Mais próxima. Mais pessoal.
Passos ecoaram no corredor.
- Não é coisa boa - murmurou Eun-yoo, segurando o taco com força. - Quando fica assim, algo já decidiu atacar.
A porta do apartamento 1408 começou a ranger lentamente, como se alguém - ou alguma coisa - estivesse testando a paciência deles.
Hyun-soo sentiu o coração acelerar. A voz dentro da sua cabeça sussurrou, doce e venenosa:
"Se você se soltar, ninguém mais precisa morrer."
Seus olhos ficaram negros por um segundo.
- Ei - Eun-hyuk falou firme - olha pra mim. Agora.
Hyun-soo respirou fundo. Um. Dois. Três.
O ranger virou um estalo seco.
A porta caiu.
A criatura que saiu dali tinha o corpo torto e o rosto preso em um sorriso impossível, largo demais para ser humano. Seus dedos arranhavam o chão, deixando marcas profundas no concreto.
- Corram - Hyun-soo disse.
Mas ele não correu.
Pela primeira vez, deu um passo à frente.
- Se eu sou o monstro... - ele murmurou, sentindo a transformação subir pela pele - então hoje eu escolho por quem lutar.
O prédio voltou a tremer.
E, naquele instante, todos entenderam: o verdadeiro terror não era virar um monstro...
era perder o motivo de continuar humano.
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