Cartas pra você.

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WpMetadataNoticeLast published Mon, Jun 8, 2026
Seis anos de uma relação que começou leve, quase simples, e foi ficando funda demais pra caber só no amor. As duas se encontraram num momento em que ainda estavam se construindo como pessoas. CC cresceu rápido, virou dona de uma empresa de fotografia, aprendeu a sustentar o mundo ao redor dela, a ser base, colo, solução. Cairo virou psicóloga, aprendeu a escutar os outros, a entender dores que não eram dela, mas nunca soube muito bem o que fazer com as próprias. Por fora, elas pareciam fortes. Por dentro, estavam cansadas. A relação foi virando um lugar de cobrança silenciosa. Cairo se distanciava quando se sentia sobrecarregada. CC insistia, puxava, tentava consertar, até cansar de ser a única tentando manter algo vivo. Quando CC terminou, não foi num impulso. Foi num esgotamento. Cairo concordou. Concordou porque já não sabia mais ficar. Depois do fim, nenhuma das duas soube ir embora de verdade. Cairo passou a escrever cartas que nunca pretendia enviar. Cartas cruas, onde o amor, a raiva, o ego e a saudade se misturam sem filtro. Em público, ela começou a fingir que estava bem. Saiu, bebeu, riu alto, provocou, se jogou em outras presenças como quem tenta provar alguma coisa, mais pra si mesma do que para CC. Por dentro, a dor continuava existindo, mas vinha junto com um orgulho ferido e uma raiva de não ter sido escolhida. CC, por outro lado, tentou viver como se o fim fosse definitivo. Trabalhou, se aproximou de novas pessoas, deixou alguém novo entrar devagar, sem promessas, sem pressa. Tentou não olhar pra trás. Tentou não perguntar. Tentou não sentir. Mas o corpo ainda lembrava de Cairo em gestos pequenos, em silêncios específicos, em coisas que ninguém mais fazia do mesmo jeito. Quando CC descobre, por acaso, que Cairo escreveu cartas durante todo esse tempo, o passado ganha outra forma. Não apaga o que doeu. Mostra que nenhuma das duas atravessou o fim ilesa. Mostra que, mesmo separadas, ainda estavam presas uma à outra de je
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