
O luto não chega como um instante, mas como um estado. É como se o mundo continuasse exatamente igual, mas você não. Tudo ainda se move, tudo ainda respira, e isso parece errado. Existe um silêncio estranho, quase ofensivo, enquanto sua mente insiste que não pode ser verdade, que deve haver algum engano. Mas o corpo entende antes da aceitação. O peito pesa com uma pressão constante, respirar exige esforço, e nada alivia. O estômago se contorce em um vazio físico, como se algo essencial tivesse sido arrancado. Os pensamentos ficam lentos, distantes, e a realidade parece abafada, como se você estivesse separado do mundo por uma camada invisível. A perda não acontece uma única vez. Ela se repete em fragmentos. Em um impulso automático de mandar uma mensagem, em algo que você vê e quer compartilhar, em um segundo de esquecimento seguido pelo choque brutal da lembrança. É perder a mesma pessoa inúmeras vezes, em momentos pequenos e cruéis. Existe também um cansaço profundo, que não vem do corpo, mas do peso de existir sem aquela presença. O luto invade sem aviso, transforma o comum em dor e cria uma solidão que ninguém pode dividir completamente. O luto não é esquecer, nem deixar para trás. É continuar vivendo enquanto uma parte de você permanece ausente, presa em um tempo onde tudo ainda existia.Alle Rechte vorbehalten
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