Laura Figueiredo tinha planos muito simples para os próximos meses: Casar. Construir uma vida estável. E talvez finalmente parar de sobreviver à base de café, ansiedade e decisões questionáveis. Então ela encontrou o noivo na cama com outro homem. Agora, com um casamento cancelado, trinta mil reais evaporados da poupança e uma dignidade emocional bastante questionável, tudo o que Laura precisa é de um recomeço barato em Curitiba. Literalmente barato. Por isso, quando surge um apartamento absurdamente espaçoso, bem localizado e com um aluguel suspeitamente acessível, ela ignora o pequeno detalhe de que uma mulher foi assassinada ali em 1975. Afinal, entre um fantasma e os preços imobiliários atuais, a escolha parece óbvia. O problema é que o fantasma existe. Dona Célia não apenas assombra o apartamento como também reorganiza louças, alinha porta-retratos, invade o espaço pessoal da Laura e aparece no pé da cama em horários completamente inconvenientes. E, aparentemente, também quer ajuda. Assassinada brutalmente dentro do próprio apartamento há quase cinquenta anos, Célia nunca descobriu quem a matou - e nem a polícia conseguiu. O caso acabou enterrado no tempo, cercado por especulações, machismo, silêncio e uma investigação tão falha quanto conveniente. Agora, presa entre o apartamento onde morreu e uma jornalista sarcasticamente exausta que definitivamente não queria lidar com fantasmas, Dona Célia está determinada a descobrir a verdade. Mesmo que Laura preferisse fingir que nada daquilo está acontecendo. Enquanto tenta sobreviver ao caos da própria vida, recuperar a sanidade mental depois de um término humilhante e manter seu emprego como jornalista investigativa, Laura acaba mergulhando em um caso esquecido desde 1975. Porque talvez a morte de Dona Célia nunca tenha sido um simples assassinato. E talvez algumas histórias se recusem a permanecer enterradas.
More details