
Hana Tsuakari voltava da escola como em qualquer outro dia. O céu estava começando a escurecer, e o vento soprava contra seus cabelos loiros, fazendo a mecha branca balançar diante dos seus olhos. Ela estava tranquila. Cansada... mas tranquila. Quando virou a esquina da sua rua, algo já parecia errado. A porta de casa estava aberta. O coração dela apertou. - Pai...? - ela chamou, entrando devagar. Silêncio. Um silêncio pesado demais. Ao dar alguns passos pela sala, ela viu manchas escuras espalhadas pelo chão. Seu estômago revirou. A respiração ficou irregular. Então- Um barulho. Algo caindo em outro cômodo. O medo subiu pela espinha, mas ela continuou andando. Passo. Após passo. Quando entrou no outro cômodo, o mundo dela quebrou. Sua mãe e sua irmã estavam caídas no chão, imóveis. O ar parecia ter sido arrancado dos pulmões dela. O pai estava ali também, gravemente ferido, tentando se manter consciente. Mas ele não estava sozinho. Atrás dele, um homem alto permanecia de pé. Frio. Imóvel. Ele segurava uma arma apontada para o pai de Hana. O tempo parou. O homem virou o rosto lentamente. E então ela viu. Os olhos dele eram vermelhos. Intensos. Profundos. Como se queimassem por dentro. Quando aqueles olhos encontraram os dela... algo estranho aconteceu. Não era apenas ameaça. Era reconhecimento. Como se ele já soubesse quem ela era. O pai tentou falar, a voz fraca: - Hana... corra... Mas ela não correu. A tristeza queimava dentro dela. A raiva começava a nascer, lenta e perigosa. O homem inclinou levemente a cabeça, observando-a. Então o ar atrás dele começou a se distorcer. Como se o espaço estivesse sendo rasgado. Um portal escuro se abriu, girando e puxando o vento da casa para dentro dele. Sem pressa. Sem medo. O homem deu um último olhar para Hana... e entrou no portal. Ele estava fugindo. O corpo dela tremia. O mundo dela tinha acabado. E ele estava simplesmente indo embora. - NÃO!Todos los derechos reservados
1 parte