Ela colhia ameixas. Ele colhia vidas. Gwenyth Shaw sempre soube que o mundo era cruel. Criada pelos tios em um pequeno campo, seus dias eram feitos de terra sob as unhas, vestidos de linho e o cheiro de ervas secando no telhado. A morte da mãe lhe ensinou cedo que o amor não protege - e que a pobreza é uma sentença silenciosa. Bramwell Lancaster nasceu com uma coroa que nunca pediu e um pai que transformou seus sonhos em correntes. O rei Malakor o moldou com sangue e obediência, fazendo do príncipe herdeiro um carrasco de mãos limpas e consciência suja. Ele não acredita em redenção. Não acredita em bondade. Não acredita em nada - até encontrar uma camponesa com olhos de tempestade e uma cesta de frutas ensanguentadas. Quando Bramwell poupa a vida de Gwenyth na floresta - enquanto seus guardas queimam a vila dela até as cinzas - ele não sabe que está plantando a semente da própria ruína. Ela invade o palácio com um punhal escondido e o coração em chamas, pronta para matar o príncipe que avisou tarde demais. Mas Bramwell não a prende. Não a mata. Ele a mantém. Não como refém. Não como serva. Como um segredo que ele não pode confessar nem para si mesmo. Entre paredes de pedra e seda, Gwenyth descobre que o inimigo tem cicatrizes que não vêm de batalhas - e que o gosto proibido de um Lancaster é mais viciante e mais venenoso do que qualquer veneno que ela aprendeu a preparar. Porque amar o príncipe cruel é trair os mortos. Mas odiá-lo é negar o único coração que ainda bate por ela. Em um reino onde a lealdade se compra com sangue e o desejo é uma arma, Gwenyth terá que escolher: vingar os que amou ou salvar o homem que a destruiu. E Bramwell terá que decidir se vale a pena queimar o próprio reino para manter a única coisa real que já tocou. O amor deles é proibido. Mas o gosto dele? Ela não consegue esquecer.
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