Sob a superfície esquecida do mundo, existe uma cidade que jamais conheceu o silêncio.
Chamam-na de A Cidade Que Não Dorme Sob a Terra.
Escavada não apenas em pedra, mas em memórias abandonadas e pecados soterrados, suas ruas se estendem como veias pulsantes, iluminadas por uma luz pálida que não vem do sol - mas de algo mais antigo, algo que respira nas profundezas. Lá embaixo, o tempo não segue regras. Dias não passam, noites não chegam. Tudo apenas... continua.
As construções se erguem em camadas impossíveis, como se a própria realidade tivesse sido dobrada para acomodá-las. Torres invertidas, becos que levam ao mesmo lugar e portas que se recusam a existir quando não estão sendo observadas. A cidade parece viva - e talvez esteja.
Seus habitantes também não dormem.
Não porque não querem, mas porque esqueceram como.
Alguns dizem que, ao fechar os olhos, você começa a ouvir. Primeiro, sussurros. Depois, vozes. Por fim... lembranças que não são suas. Memórias de vidas que nunca viveu, mortes que nunca morreu. E quem insiste em dormir... nunca acorda o mesmo.
No coração da cidade, há algo conhecido apenas como O Núcleo - um lugar onde todas as ruas eventualmente levam, mesmo contra a vontade de quem caminha. Dizem que foi ali que tudo começou: a primeira fusão, o primeiro erro, o momento em que um homem tentou tocar o que não deveria... e acabou se tornando parte da cidade.
Desde então, ela cresce.
Lentamente. Silenciosamente. Inevitavelmente.
Há rumores sobre uma figura que observa tudo das sombras - alguém chamado apenas de O Arquiteto. Ninguém sabe se ele criou a cidade, se está tentando contê-la... ou se é apenas mais uma peça presa em sua estrutura infinita. Alguns juram ter visto seus olhos nas paredes, nos reflexos, nas falhas da realidade. Outros dizem que ele não existe - que é apenas a forma que a cidade encontrou para ser compreendida.
All Rights Reserved