Na cidade de Valmare, existia uma lenda antiga:
Quando a lua sangrar no céu, a Última Guardiã despertará.
E com ela, virá o fim... ou a salvação.
Durante séculos, a lua foi apenas branca e silenciosa.
Até aquela noite.
Esther sempre sentiu que havia algo errado com ela. Desde pequena, via sombras se movendo onde não havia ninguém. Ouvia o seu nome ser chamado pelo vento. E, às vezes, quando olhava para o céu... a lua parecia olhar de volta.
Na noite em que completou 17 anos, a lua mudou de cor.
Vermelha.
A cidade entrou em pânico. Animais fugiram. O mar ficou agitado. E as sombras finalmente saíram da floresta proibida.
Foi nessa mesma noite que ele apareceu.
Magnus.
Olhos cinzentos como tempestade, capa escura, presença perigosa. Ele não era humano. Pertencia ao Reino de Nocthar um mundo preso atrás do véu da lua.
Tu és a Última Guardiã ele disse. E o meu povo precisa que morras.
Aurora sentiu o chão desaparecer sob os pés.
A lenda dizia que a Guardiã mantinha o equilíbrio entre os mundos. Mas também dizia que o seu sangue era a chave para libertar uma antiga força aprisionada dentro da lua.
E o pai de Magnus, o rei sombrio de Nocthar, queria usar esse poder.
Só havia um problema.
Magnus foi enviado para matá-la.
Mas não conseguiu.
Porque quanto mais se aproximava dela, mais percebia que Esther não era apenas uma peça num jogo de guerra. Ela era coragem. Era luz. Era a única coisa que fazia o mundo dele parecer menos sombrio.
Enquanto criaturas atravessavam o véu e a lua permanecia vermelha no céu, Esther começou a treinar. Cada vez que usava seus poderes, marcas prateadas surgiam em sua pele como se a própria lua a estivesse reclamando.
Ela descobriu a verdade:
Não era apenas a Última Guardiã.
Era também a última prisão.
Se morresse, libertaria o poder da lua e destruiria um dos mundos.
Se vivesse, a lua continuaria sangrando e as criaturas continuariam a invadir.
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