Min Yoongi construiu a própria vida em torno da música.
Produtor brilhante, perfeccionista até o limite, ele escuta o mundo como quem desmonta uma composição: procurando falhas, corrigindo detalhes, recusando qualquer coisa que não seja extraordinária. Para ele, melodias existem para serem aprimoradas. Emoções existem para serem controladas.
E durante anos, isso foi suficiente.
Até Aurora Montclair.
Aurora não entra em sua vida como um plano, nem como uma escolha.
Ela acontece da mesma forma que algumas músicas começam: silenciosamente, quase sem aviso... até que, de repente, é impossível ignorá-las.
Como Snow.
Uma melodia que começa devagar, quase delicada, mas que cresce até ocupar todo o espaço ao redor.
Aurora não tenta se encaixar no mundo meticulosamente calculado de Yoongi. Não segue o mesmo ritmo, não aceita as mesmas regras. E talvez seja exatamente isso que o desarma.
Entre estúdios iluminados na madrugada, acordes que nunca soam completos e duas mentes que enxergam a música de maneiras completamente diferentes, mas que se completam, nasce algo que nenhum dos dois estava procurando.
Algo que cresce nos silêncios.
Nos olhares demorados.
Nas notas que ainda não foram tocadas.
Porque algumas pessoas entram em nossas vidas como uma melodia inesquecível.
E quando isso acontece, não importa o quanto tentemos resistir.
A música continua.
Como Snow.
Suave no início.
Inexplicável no final.
Até que alguém finalmente perceba que não está apenas ouvindo...
Está sentindo...
Está vivendo.
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