Jade sempre acreditou que sua vida era simples demais para desandar. Vinte anos, uma rotina previsível, uma casa silenciosa onde a mãe e o padrasto ofereciam segurança, horários certos, afeto estável. Nada fugia do controle. Nada exigia demais dela.
Drake chegou trazendo caixas, cheiro de estrada e um tipo de presença que não se acomodava. Vinte e dois anos, voz baixa, sorriso preguiçoso, aquele jeito de quem observa antes de agir. Primo. Palavra suficiente para manter tudo no lugar - pelo menos no começo.
A intimidade se instalou como um erro confortável. O problema começou quando trocaram números.
Longe da família, as mensagens perderam o tom seguro. Não era o que era dito, era o que ficava suspenso entre uma frase e outra. Cada notificação fazia o estômago de Jade se contrair.
Ela sabia que era errado. Mas Drake tinha o dom de fazê-la esquecer o resto.
Quando estavam no mesmo espaço, o ar mudava. Os olhares demoravam mais do que o aceitável. O silêncio entre eles não era vazio - era outro. E isso a assustava. Drake nunca cruzava a linha. Ele apenas chegava perto o suficiente para que ela sentisse vontade de atravessá-la sozinha.
Havia controle no jeito como ele falava com ela, na calma, na forma como parecia saber exatamente o efeito que causava. Jade se via presa num jogo silencioso de rendição, onde cada passo atrás era apenas uma preparação para dois à frente.
A culpa tentava se impor lembrando da família, do perder mas bastava ele se inclinar um pouco, baixar a voz, sustentar o olhar... e tudo se dissolvia.
Perto dele, ela não era a filha certinha, nem a garota previsível. Era desejo contido. Curiosidade perigosa. Vontade sem nome.
Era uma atração proibida, suja pelo excesso. Pelo jeito que queima devagar, insistente, prometendo destruição e prazer na mesma medida.
E no lugar onde a consciência já não alcançava, ela sabia: o que mais a apavorava não era ser descoberta. Era ver que, se ele desse o próximo pas
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