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BEFORE 🩵
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WpMetadataNoticeLast published Fri, Mar 13, 2026
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Fiction
Romance
Segunda chega como um presságio ruim, pesada, escura, mesmo antes de nascer direito. E eu já sei o motivo: amanhã eu vou te ver. E te ver é como abrir uma ferida que nunca fechou. Porque amanhã eu vou sentir tudo de novo, cada detalhe, cada memória, e o golpe final - te ver sorrindo... nos braços de outra pessoa. As pessoas falam como se fosse simples: "para de gostar", "ele não te quer". E aquela frase que rasga mais fundo: "fia, ele bate mais leque que eu". Eles falam rindo. Mas por dentro parece que estão pisando em algo vivo. Dói porque eu criei expectativa. Dói porque eu acreditei. Porque existia um tempo em que nós éramos algo. Talvez pequeno, talvez frágil, mas era nosso. Eu lembro das conversas, dos momentos, das coisas que pareciam promessas mesmo sem serem ditas. E eu me escondi atrás de um livro quando me declarei. Que ironia. Uma história falsa protegendo um sentimento verdadeiro. Se tivesse sido pessoalmente, talvez eu tivesse quebrado ali mesmo, na sua frente. E agora dizem que você nunca demonstrou nada. Que eu fui só mais uma iludida. Mas só eu sei o que aconteceu no silêncio entre uma frase e outra. Só eu sei como a gente era antes. Eu achei que aquilo estava crescendo, como uma chama pequena num quarto escuro. Mas talvez eu só estivesse alimentando um incêndio sozinha. E dizem que eu já devia ter ido embora. Fácil falar. Ninguém explica como se abandona um sentimento que ainda respira dentro do peito. Então eu oro. Não porque eu entenda tudo, mas porque às vezes fé é a única coisa que sobra quando o coração vira um campo de ruínas. E mesmo assim, uma parte de mim ainda imagina um futuro impossível, onde a gente olha pra trás e ri disso tudo. Mas a verdade mais sombria fica rodando na minha cabeça: Será que você realmente se conhece? Ou você só vive se escondendo atrás de risadas, olhares vazios e esse talento estranho de fingir sentimento... enquanto só sabe bater leque.
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