Entre o que sentimos e o que conseguimos nomear, existe um espaço silencioso - e é nele que este livro habita.
"A alma encosta na borda" não é sobre quedas dramáticas, nem sobre superações grandiosas. É sobre o desgaste que não faz barulho. Sobre o cansaço que se acumula em camadas invisíveis, até transformar o próprio existir em algo pesado de sustentar.
Ao longo das páginas, Iasmyn S. Ferreira conduz o leitor por um território íntimo, onde pensamentos não resolvidos, afetos mal acomodados e verdades evitadas começam a ganhar forma. Não há pressa, não há fórmulas. Há apenas o movimento honesto de quem decide olhar para dentro - mesmo quando o que se encontra não é confortável.
Entre reflexões sobre identidade, pertencimento, amor, solidão e a tentativa constante de se manter inteiro em um mundo que exige adaptações silenciosas, o livro revela algo essencial: nem todo vazio é ausência - às vezes, é excesso do que nunca foi dito.
Sem prometer respostas fáceis, esta obra convida o leitor a reconhecer o próprio cansaço sem culpa, a questionar as narrativas que aprendeu a sustentar e, principalmente, a perceber que continuar - mesmo sem certezas - já é, por si só, um gesto profundo de existência.
Porque, no fim, não se trata de evitar a borda.
Mas de entender o que em nós insiste em permanecer... mesmo quando estamos tão perto dela.
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